
Aos 11 dias de vida, Clara manifestou seu primeiro contato com a dor. Talvez a primeira mesmo tenha sido a retirada do ventre. O choro estridente, foi um sinal. Mas foi no 11º. dia que tivemos a certeza: nossa pequena padecia daquilo, que infelizmente, ao longo da vida se manifesta real ou metaforicamente e é inevitável: a dor.
Na ânsia de livrá-la do tormento, recorremos à vários médicos e cada um apresentava uma solução e a cada primeiro dia do remédio, ela apresentava uma melhora e então respirávamos aliviados, mas dias depois tudo recomeçava, até que um dia nos demos conta de que apesar de tão pouquinho tempo de vida, nossa bochechuda estava entupida de química e nada estava resolvia definitivamente, foi então que ficou claro pra nós: A Clara está sentindo a dor de amadurecer seu aparelho digestivo. É a dor de amadurecer por dentro. É um processo dela. Os remédios de inicio fizeram efeito, porque ao comprá-los, baixava a nossa ansiedade e estando mais tranqüilos, ela também ficava, porque as vezes, é só disso que a gente precisa pra encarar as dores: um pouco de colo, muita calma, palavras de conforto e a segurança de saber que tem alguém ali com a gente.
Nossa pequena está aprendendo também a diferenciar dor de desconforto. Como é importante essa descoberta! As vezes a gente sofre inutilmente por uma vida inteira, somente por não saber diferenciar uma coisa da outra. E tem mais: ela tem a sabedoria de não prolongar o sofrimento. Bastou passar a dor e ela é toda sorrisos.
É mesmo uma dádiva essa pequena. Ela aprende sobre a vida, nos ensinando...
(Juli Mariano)