
Houve um tempo em que buscava com veemência o sentido da vida. Passei pela fé,através da religião e aí tentei entender Deus e seus motivos, mas depois de um tempo, comecei achar inútil, pois as explicações no fundo eram todas humanas, portanto nada mais eram do que interpretações do quem vem a ser Deus e seus motivos. Hoje acredito em Deus, uma força maior, mas sem definições. Acredito porque quero, acredito porque preciso. E ponto.
Passei pela política estudantil, onde através dos teóricos, parti pras práticas, acreditando saber o que era melhor pra mim e pro mundo. Hoje rio de minha ingenuidade, apesar de reconhecer que foi um período muito rico e necessário e o melhor: vivido no tempo certo, no auge da adolescência, onde se tem toda isenção e energia para acreditar nas grandes transformações.
Vejo agora que foram tantos os caminhos que tentavam nortear essa minha busca, só não sei, exatamente, quando foi que tomei esta estrada que me conduziu a este estado presente, onde, parafraseando Clarice (Lispector),
“contento-me simplesmente em ser”. Hoje vou me deixando fluir e observando o resultado disso.
Acho a bíblia, em alguns trechos, uma leitura muito poética, gosto e me identifico com o fluxo de Deus, descrito nela, quando do momento da criação do mundo: “e Deus criou as águas. E viu que era bom”, “E Deus fez o homem. E viu que era bom”. Em geral, sua criação é assim descrita: Ele faz e depois vê se é bom, ou seja, ele se lança à experiência, sem premeditações e depois observa os resultados.
Pois é, assim tenho vivido nos últimos tempos, fluindo... simplesmente sendo... quem sabe, assim sendo, não esbarro por aí com o tal sentido da vida?
Juli Mariano